Através do espelho

•April 20, 2008 • 2 Comments

Manhã de sol invencível, vi num espelho transparência e reflexo. E lá estava aquele homem “demasiadamente humano”. Era apenas um sujeito despertando dentro dum sonho que voa veloz na insondável mente de Deus. Contemplando sua cidade destruída por dentro e por fora, ensurdecido pelos lamentos do sofrimento e da própria ignorância, notou sob suas ruínas algo de valor que ainda resplandecia. Tomou nas mãos a bela moeda perdida e viu nela gravado inocência. Virou a outra face e leu a inscrição responsabilidade. E ouviu como no primeiro dia a voz trovoada do seu chamado.

No hiato entre ilusões inconsistentes e sua nudez, aprendeu com violência o valor sagrado da vida, dom aos mortais. Uma enxurrada de conexões, rupturas e simultaneidades improváveis o arrastara para bem longe, mas renovada sua consciência na verdade, apercebeu-se calmo e feliz que também havia chegado ali caminhando. E dia após dia seguiu adiante no Caminho sentindo bem o chão sob os pés, com a cabeça erguida e o peito aberto, respirando misticamente cada cheiro de vida, olho no olho para as novíssimas cores do velho mundo.

Ora transformação, ora conformação, sempre gratidão e fé. Quero ser simples assim.

* É, voltei e voltarei a escrever por aqui…

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Pedaço de mim

•January 27, 2008 • 5 Comments

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Comentar poesia além de grande engodo é de péssimo gosto. Por isto, apenas escrevo os versos do Chico a título de epígrafe daquilo que a vida encarregou-se por si mesma de inscrever nos meus ossos.

Homem que sou, nunca captei os sentidos do revés de um parto, até que me descobri num instante sem fim arrancando do meu quarto um amor que morreu. Saudades do que foi e já não é mais. Nunca mais.

Esta a nossa vocação e destino: espalhar vida com nossos pedaços arrancados e, na caminhada errante de exilados na terra, fecundar uma triste beleza no jardim do mundo. Toda beleza é grave e tristonha…

A ironia mora escondida sorrateira neste quarto quase arrumado e somente quando vamos nos deixando morrer de uma vez por todas, metades sem conta caídas pelo caminho é que, de fato, vivemos.

Tal como aquela história do evangelho, da semente que se encontra ao morrer, numa aposta vazia e áspera, na espera cega pela árvore frondosa que virá. E que será.

Tudo flui

•January 26, 2008 • Leave a Comment

Sou e já não sou

Alteridade ou estranheza de mim.

Correm as águas, tudo flui

Firme é coisa nenhuma.

Evanesceu a alma em vertigens, nada permaneceu.

E renasceu uma vontade no mundo dos fatos.

O-caso: não sou o mesmo de ontem…

Tudo flui

Uma Sinopse

•November 9, 2007 • 2 Comments

sinapse.jpg

 

É isto.

Meia sinapse. Devaneio…

 

Porque a cuca falha, a mente mente.

E a consciência insanamente

tateando, cheirando, degustando

de si no mundo vai processando o mundo em si. Depoimento…

 

Das abissais sombras emerge

no sereníssimo lago da sanidade.

Esquecimento aqui,

lá dentro o silêncio,

beleza ali. Percepção…

 

Toda via…

Os lances da linguagem e os enlaces da Pessoa são

inadequados, prolépticos, provisórios,

para sempre.

Feito meia sinapse. Nostalgia…

 

Meu palavreado. Livre e honesto!

Ufanamente Copacabana

•November 9, 2007 • 3 Comments

Faz pouco tempo que retornei ao Rio, após uma fria temporada nos pagos meridionais do Brasil. E de volta à terra abençoada por Deus e bonita por natureza, não podia cair em lugar melhor do que este, o meu planeta Copacabana. Assim inauguramos o Meia Sinapse: com uma pequena e já saudosa louvação deste bairro singular. Claro que faltam os bares, restaurantes e outros cantinhos menos ou mais famosos do cenário, lugares dos nossos amores, causos e reminiscências. Fica pra próxima!

Be my guest…

——

Na conhecida faixa de terra de quase um quilometro de largura e mais de quatro de extensão, espremida entre o mar e a montanha, existem apenas setenta e oito ruas, cinco avenidas, seis travessas, três ladeiras e seis acessos viários. Muitas são as maneiras de se olhar Copacabana. Nessa multiplicidade de ângulos, talvez o melhor para desenhar os seus contornos seja o da sua gente. Aqui estão cerca de 200 mil moradores, boa parte dos quais acompanharam as transformações das últimas décadas: são as pessoas com mais de 60 anos – cerca de 25% da população aqui, bem mais do que a média nacional, que não passa de 10% – que formam o saudoso grupo da terceira idade. No outro extremo, mas disputando a mesma praia está a a galera jovem, também muito numerosa na área.

Na geografia humana de Copacabana a imagem da “cidade partida”, apropriada para descrever o espaço social do Rio de Janeiro e do próprio Brasil, ganha nuances de contraste. Praticamente toda a limitada área do bairro está ocupada. A maioria das pessoas espalham-se pelos milhares de edifícios residenciais, desde os suntuosos e históricos prédios à beira-mar até outros mais simples, em cantos mais modestos do bairro. Parte da população concentra-se nos morros, em seis comunidades: Babilônia, Chapéu Mangueira, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Tabajaras e Cabritos. Mesmo o espaço público possui sua população flutuante de adultos e crianças.

 

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•November 8, 2007 • 2 Comments

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