Manhã de sol invencível, vi num espelho transparência e reflexo. E lá estava aquele homem “demasiadamente humano”. Era apenas um sujeito despertando dentro dum sonho que voa veloz na insondável mente de Deus. Contemplando sua cidade destruída por dentro e por fora, ensurdecido pelos lamentos do sofrimento e da própria ignorância, notou sob suas ruínas algo de valor que ainda resplandecia. Tomou nas mãos a bela moeda perdida e viu nela gravado inocência. Virou a outra face e leu a inscrição responsabilidade. E ouviu como no primeiro dia a voz trovoada do seu chamado.
No hiato entre ilusões inconsistentes e sua nudez, aprendeu com violência o valor sagrado da vida, dom aos mortais. Uma enxurrada de conexões, rupturas e simultaneidades improváveis o arrastara para bem longe, mas renovada sua consciência na verdade, apercebeu-se calmo e feliz que também havia chegado ali caminhando. E dia após dia seguiu adiante no Caminho sentindo bem o chão sob os pés, com a cabeça erguida e o peito aberto, respirando misticamente cada cheiro de vida, olho no olho para as novíssimas cores do velho mundo.
Ora transformação, ora conformação, sempre gratidão e fé. Quero ser simples assim.
* É, voltei e voltarei a escrever por aqui…



Na conhecida faixa de terra de quase um quilometro de largura e mais de quatro de extensão, espremida entre o mar e a montanha, existem apenas setenta e oito ruas, cinco avenidas, seis travessas, três ladeiras e seis acessos viários. Muitas são as maneiras de se olhar Copacabana. Nessa multiplicidade de ângulos, talvez o melhor para desenhar os seus contornos seja o da sua gente. Aqui estão cerca de 200 mil moradores, boa parte dos quais acompanharam as transformações das últimas décadas: são as pessoas com mais de 60 anos – cerca de 25% da população aqui, bem mais do que a média nacional, que não passa de 10% – que formam o saudoso grupo da terceira idade.